Pare ao passar. Esta sombra em que se encontra, não é sombra. Era maio e eu andava perdido pela pradaria, mas de sentimentos. O caminho era meu conhecido, o destino era certo, só não era certo que rumo tomaria minha vida quando parei à sombra deste companheiro que vês. Encontrei-lhe num dia de extroversão, e com ele conversei horas e horas. Passei a visitar-lhe freqüentemente.
Nomeei-o Antonio, nome que sempre me pareceu próprio de pinheiro como este: tranqüilo e sereno; sábio e poderoso; cauteloso e astuto. Tão diferente de mim, José, pútrido e humano; fraco e covarde; voraz e sedento. À sua sombra, tornei-me pacífico, truculento; responsável, inconseqüente; racional, emotivo; louco, sensato, tudo em seu devido momento. Compreendo agora o passar do tempo, o cair das folhas velhas, o florescer das novas.
Sobre as suas raízes firmes, vigorosas, robustas, encontra-se conforto, segurança, apoio. Estas raízes, tão fortemente fincadas no subsolo, muitas vezes parecem flutuar e alcançar os céus. Sob seus galhos e folhas, entende-se a tranqüilidade, a placidez com que vive. As folhas são suas mãos, sempre abraçando, cumprimentando, junto com o afago refrescante da sua sombra. Seu tronco longílineo mostra o quão longe se pode chegar através da persistência e serenidade.
Portanto, quando por aqui passar, caro viajante, pare, respire. Eis aqui um grande amigo, de raro valor. E quando fores te afastando, quando estiver ao longe, olha para trás. Com algum esforço, conseguirás ver Antonio e José, pinheiros do prado.
