Você me pediu pra escrever uma canção
Mas eu não sei nem começar
Fica aqui o meu esforço, um triste esboço
De uma quase música para se cantar
Escrevo assim um quase nada, um quase tudo
Um verso mudo de palavras quase certas
Umas verdades de poeta que nasceu sem poesia
Sem melodia, sem métricas nem chão
Que eu piso torto, quase tonto em rimas fracas
E ainda grito: Vai me mata!
Que viver é muita imprecisão
Mas se o esboço tomar jeito e criar asas
Deixa que voe sobre as casas da cidade em que vives
Que esse aborto quase vivo quase morto
Há de ter algum sentido
Vai que paira sobre as mãos de um menino
E camuflado de brinquedo faz feliz
Por um instante a alma d'uma criança
E daí, que nesse mundo frio e feio
Há de haver a esperança
