segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Exotismo

Encosto a cabeça na areia. Cabeça esta afetada pelo peso que carrega, pelos neurônios necrosados e velhos que, cansados, fazem sua função de maneira exótica. Exóticas também as substâncias que os inebriam. Veias latejam e me doem as têmporas.
Meu tempo parece estar acabando.

Num instante, a exótica paisagem que me cerca se confunde com a forma também exótica que surge diante dos meus olhos. Parece que todo o meu ser foi sugado e comprimido a um ponto só do espaço: aquele ali em frente.
E eu me vendo, não sei mais se o mar se abriu pra mim ou se algo de mais estranho aconteceu.

Caminho em encontro as ondas, mas as ondas desviam de mim
E me encara, sem desviar
A Nau dos Loucos, vindo me buscar

Embarco e acabo por afundar no mar
E a imagem tem cabelos pretos e pele morena
Os olhos exóticos
E as costas do tamanho do mar,
Iemanjá