sábado, 29 de dezembro de 2012

Cerebral

Quando eu me dei conta, tinha me apaixonado.
Mas me apaixonei foi pelo cérebro dela. Amei cada ruguinha, cada idéia, cada neurônio e cada sinapse.

Eu sei, parece besteira esse negócio de amor intelectual: claro que eu me apaixonei também por ela inteira
(pelas mãos, pelos pés, pelo jeito de andar, pela mania de sussurrar "hum" enquanto assistia um filme).
Mas nitidamente, acima de tudo, um amor de idéias.

Com o tempo eu fui entendendo essa minha maneira de amar. E as pessoas ao meu redor sempre me dizendo:
- Mas isso não é amor, amor tem que ser assim, tem que ter rebuliço, tem que ser assado, tem que ser recíproco, tem que ser nutrido...
Haha, e eu rindo, achando graça. Eu gosto dessa minha maneira de gostar.
Se eu sofro? Sofro sim, sofro demais. Faço sofrer também.

Eu sei que é difícil de entender.
(Né?)
Às vezes, eu também não entendo.
Mas meu amor é assim, meio platônico, meio Beauvoir-Sartre, meio Chico, meio Caetano, meio complicado, mas bem simples. E sem deixar de ser meio Mônica-Cebolinha. Talvez pra quem tá de fora seja uma coisa de outro mundo. Mas cada pessoa é um mundo, né?
Diria até que ele nem é único: afinal, a gente se apaixona por tanta gente, por tantas idéias, por tanta coisa.(Coisa? Estranho né? Eu acho estranho!)
Não é possessivo, nem pesado, não me vejo cobrando amor.
E é plural.
Leve, mas com um peso firme, que pode atrapalhar de vez em quando.
Às vezes fica difícil de entender mesmo, e a falta de cobrança parece falta de carinho, a falta de peso parece desinteresse, mas bem, a vida é tentar entender. E olhando bem, sempre acho que não falta muita coisa, que é bem legal, bem completo, bem feliz.
Pode perecer presunção, talvez seja.
Mas eu já disse: eu gosto do meu jeito de gostar.

Aquela história de que 
tá tudo padronizado no nosso coração, que o nosso jeito de amar não é nosso, não

Não,
Ninguém ama como eu.