Eu decidi me guardar pra ti,
ali, na sala, em frente a televisão
desde então meu fogo não acende
e só me restam as cinzas
daquela quarta-feira cinza
Mas quando te pedi uma fagulha mais
quando te prometi entrar em erupção
queimei um fogo ruim e morno
chorei sozinho no canto da sala
a lava fria descendo o rosto
Quisera gritar e inundar tudo
mas permaneci mudo
pedra, muro, solidão
Se a poesia já sai ruim
Se a rima é fraca e indolor
Foi que sofri calado a tua perda
E à palavra não resta dor
