terça-feira, 18 de maio de 2010

Vampirismo Imoral

Excertos da peça "A Alma Imoral", adaptada do livro "A Alma Imoral".

"Um cavalo que se sabe cavalo, não é um cavalo.
Um macaco que se sabe macaco, macaco ele não é.
Uma cobra que se sabe cobra, não é uma cobra.
Um ser humano que se sabe ser humano é um ser humano.
Um ser humano que não se sabe ser humano, aí é um cavalo, um macaco, uma cobra..."

"Aquele que não enxerga não sabe o que não vê, porque quando sabe o que não vê, de alguma forma já está vendo.
Já o que vê pensa que tudo o que vê é o que é, porque quando sabe que tudo o que vê não é tudo o que é, de alguma forma já está vendo que não vê."

"A natureza sabe que sem o erro não há aperfeiçoamento possível.
A natureza mexe em time que está ganhando!"

"A desobediência da lei muitas vezes é uma opção mais próxima da lei do que a própria lei.
Às vezes é contradizendo a letra da lei que se faz cumprir o espírito da lei."

"O que é Lei?
Existem milhares de compreensões do que é o correto.
Lei é o privilégio concedido a uma determinada compreensão.
Então, toda lei que se pretenda justa, tem que deixar em aberto a possibilidade de sua execução justamente por sua desobediência, senão é uma arbitrariedade.
Toda lei só é legítima se encerrar um interesse que não seja o de manter a si mesma."

"Há o que é bom e há o que é o correto.
Certas posturas reacionárias afirmam que há o bom e o correto absolutos pra tudo.
Certas posturas revolucionárias afirmam que o bom e o correto são inconciliáveis, ou tudo bom ou tudo bom.
E, para os menos radicais, é a tensão entre o bom e o correto que nos oferecem uma experiência de bem estar.
Nem só o bom ou nem só o correto dá conta de tudo na vida, e nem o bom é o bom sempre, e nem o correto é o correto sempre."

texto da peça por Clarisce Niskier, adaptado do livro de Nilton Bonder.