Eu sou aquele que luta contra a passividade, que ataca o conformismo.
Várias vezes, quando encontro um homem a esmo, daqueles que vão conforme a corrente, grito "Levanta, toma um rumo que não o do rio, rema que o caminho é teu!", empurro, remo com ele. Se há algo do qual tenho repulsa é da paralisia daqueles que nada ambicionam, que nada buscam, que se deixam levar e, na paz da tarde de domingo, dormem, descansam, nada mais almejam. Tento ajudá-los, os inflamo: tantos muitos muito me agradecem depois de perceberem o estado de estase em que se encontraram.
Eu sou aquele que se engana, que pensa que luta, que ataca, mas continua entorpecido, paralisado. Me sento no trono do meu apartamento, minha boca escancarada, cheia de dentes, e espero a morte chegar.
