segunda-feira, 13 de abril de 2009

Enxaqueca

Quando enfim, encontrei meu amor.
Ela era pura, bela, ainda inteligente e afável. Realmente, ela era pura dor e crueldade. Em pouco tempo ela tomou-me as rédeas, e, graças à minha indecisão, por um tempo indefinido.
Acordava sempre com uma sensação de bem estar, de que atravessara mares tempestuosos para enfim chegar a calmaria, numa beira de praia, sem ao menos notar os torreões de nuvens ao meu redor. E então, com simples pulsos, estava entregue à dor, novamente. E não só à dor, mas ao desespero. Ao invés da pura e simples dor, eu tinha uma fração de segundos de paz, da sensação de segurar o volante em minhas trêmulas mãos. Em tempos, eu tomava total controle, para somente perdê-lo outra vez. E a ilusão de que eu podia por um fim naquilo tudo, bastando que eu assim desejasse com suficiente fervor, esta sim, ainda me dói.
Já são, ardo pelo seu toque febril mais uma vez, para mostrar-lhe que tenho tudo em minhas mãos, que sempre tive. Porém, em mim sei que um novo encontro não será diferente, e eu, prostrado, hei de suplicar por misericórdia.