segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Desatino

Quero o pôr o meu pé na tua garganta, apertar teus olhos, gritar no teu ouvido. Quero trançar meus pelos, meus cabelos, fazer deles corda para te enforcar, dependurar-te do topo de um edifício, te ouvir gritar, espernear até sufocar, sentir teu corpo parar de mexer, teus pulmões sem respirar, teu coração mudo, teu corpo lentamente esfriar.
Sentir tua falta, te esquecer, ter a lembrança terna da tua existência, viver eras sem ti, até todas as moléculas que tocaram o teu corpo desaparecerem da terra e virarem poeira cósmica.

Depois morrer, me transformar, ver minhas células alimentarem os vermes, que alimentarão as plantas, que alimentarão o gado, que alimentará homens e mulheres. Conhecer cada um destes homens e mulheres, viver suas vidas, sentir seus sentimentos, pensar estupidezes, cansar de respirar, morrer, morrer, morrer. Aliás, nascer e morrer tantas vezes até o conceito de nascer ou morrer se tornar nada, uma coisa só, uma continuidade, um existir sem consciência, sem liberdade.

Mas, para quê?

No fim, sentir as forças idiotas do Destino unir-nos mais uma vez.
Como se nada adiantasse, nada do que eu fiz, nada. Como se Eu nunca tivesse existido.