domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mosca de bar

Hoje eu vou te escravizar
Te amarrar na cama de um quarto escuro
Te esfaquear num quatro de julho
E derramar teu orgulho no altar

Vou esbravejar infâmias vulgares
Cansar teus ouvidos
Até perceberes, enfim
Que esse homem que amas
Que procuras e chamas
Nunca viveu em mim

Depois te pedir perdão
E caso não me perdoes
Não choro ou imploro
Simplesmente te enterro
A sete palmos do chão

Confesso, nunca cheguei a tentar
Disfarçar o meu jeito, meu bafo
E mau cheiro, meu pouco dinheiro
Meu modo de andar
Te disse na cara
Que não sou um cara legal
Que eu não presto
Que eu bebo e acordo
Afogado na lama
Ou mesmo na cama de uma qualquer
Não, não engano a ninguém
Sou velho e vadio
Contente em ser traste
Sou mosca de bar

Por isso, entendas,
Se quiseres ser minha escrava
Te gritarei palavras vulgares
Te arrastarei pelos bares
Te farei feliz

Mas não venhas buscando
O homem que queres
No corpo que quis