sábado, 25 de setembro de 2010
Eu quero escrever!
Preencher todo o papel, escrever mais rápido que o pensamento, escrever tudo que penso, da maneira que penso, a idéia crua no papel, nua na vitrine e ver este pedaço de branco todo ferido pela caneta, sangrando do azul da minha bic, sem nem lembrar das penas dos velhos poetas ou das fitas das máquinas de escrever ou dos pixels na tela do computador. Queria sujar o mundo todo como sujo este papel velho, sujar com estas palavras imundas, num impulso orgástico, ejacular tinta para todos os lados e me sentir menos vazio. Vazio como esta folha de papel branco estava antes de me acometer a estupidez destas palavras, destas idéias fedorentas, que não tem objetivo ou valor, a não ser o de preencher até a última lacuna esta pequena alma de papel.
