sábado, 5 de setembro de 2009

Mar e ilhas

Juro que se eu tivesse fôlego, Marília
Escreveria para ti um puta dum poema erótico
Daqueles de trezentas páginas
Que acabaria se tornando um clássico
O qual, após trinta anos,
Não mais seria lido, de tão sagrado
No entanto, seria considerado
Da mais alta beleza e luxúria

Mas, lamento, mulher
Não tenho fôlego!

Quisera eu, com meus lábios juntos aos teus
Cantar uma melodia eterna
Tão simples e pura que esqueceríamos mesmo quem somos
E ficaríamos ali, extasiados,
No profundo egoísmo de sermos completos

Mas, suplico-te perdão, mulher
Não tenho fôlego!

Se ao menos eu pudesse, com minha língua dentre tuas pernas
Pintar todo o surrealismo do teu corpo cálido
Em pinceladas tão precisas e perfeitas
Que, mesmo os deuses lamentariam,
Pois ali se perderiam de todo olho humano

Mas, sufoca-me, mulher
Não tenho fôlego!

Submerso em tuas águas, mares profundos
Nunca dantes navegados impunemente
Nado desesperado em busca de uma ilha

Mas, poupa-me, Marília,
Não tenho fôlego!
Morro antes de chegar à praia