Juro que se eu tivesse fôlego, Marília
Escreveria para ti um puta dum poema erótico
Daqueles de trezentas páginas
Que acabaria se tornando um clássico
O qual, após trinta anos,
Não mais seria lido, de tão sagrado
No entanto, seria considerado
Da mais alta beleza e luxúria
Mas, lamento, mulher
Não tenho fôlego!
Quisera eu, com meus lábios juntos aos teus
Cantar uma melodia eterna
Tão simples e pura que esqueceríamos mesmo quem somos
E ficaríamos ali, extasiados,
No profundo egoísmo de sermos completos
Mas, suplico-te perdão, mulher
Não tenho fôlego!
Se ao menos eu pudesse, com minha língua dentre tuas pernas
Pintar todo o surrealismo do teu corpo cálido
Em pinceladas tão precisas e perfeitas
Que, mesmo os deuses lamentariam,
Pois ali se perderiam de todo olho humano
Mas, sufoca-me, mulher
Não tenho fôlego!
Submerso em tuas águas, mares profundos
Nunca dantes navegados impunemente
Nado desesperado em busca de uma ilha
Mas, poupa-me, Marília,
Não tenho fôlego!
Morro antes de chegar à praia
