Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão
Na segunda manhã que te perdi,
Era tarde demais pra ser sozinho
Eu cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contra-mão
Pelo canto da boca, num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão
Se não escrevi isto antes de Alceu Valença,
não significa que não me posso me sentir como se fossem minhas as suas palavras.
